NOVIDADE

Maturação sexual: quando o respeito pela individualidade biológica da criança pode promover o futuro no esporte

23

Nov

2013


 

 

 

Por Luiza Lourenço

e-mail: luiza.xl@hotmail.com

 

A prática de esportes é um fator que pode contribuir positivamente para o desenvolvimento infantil e trazer resultados eficientes para o futuro atleta, considerando-se um planejamento em longo prazo. Para isso, o gestor esportivo deve estar atento às questões fisiológicas e psicológicas que envolvem  a participação de crianças e adolescentes em atividades físicas e competições esportivas.  

 

Um dos primeiros aspectos a ser abordado refere-se à Fisiologia Pediátrica. É interessante observar que nem sempre a idade cronológica (anos de vida) corresponde à idade maturacional (etapas de amadurecimento) em crianças e adolescentes. O estágio de maturação em que se encontram é definido por avaliação médica que utiliza como um dos métodos o desenvolvido pelo médico inglês J.M. Tanner. Em uma escala de 1 a 5, são avaliados órgãos genitais e pelos pubianos nos meninos e desenvolvimento mamário e pelos pubianos nas meninas, sendo 1 o estágio pré-púbere e 5 o estágio adulto.

 

 

Segue abaixo o modelo proposto por Tanner.

 

 
 

 

 

A partir dessas informações, o gestor esportivo  consegue identificar a real necessidade das crianças, indicando as modalidades esportivas adequadas, bem como a quantidade dos treinamentos e atividades. Conhecendo as características da estrutura fisiológica infantil, o profissional ainda é capaz de perceber a distinção nos desempenhos de crianças com a mesma idade cronológica, mas  com idades maturacionais diferentes, bem como as diferenças entre elas e um adulto, evitando cobrar delas os mesmo resultados de  um atleta profissional, já que seus corpos não estão preparados para níveis intensos de exercícios.

 

Essa pressão por resultados não influi apenas no desgaste físico das crianças e adolescentes, mas também no desgaste psicológico. Muitas vezes, pais, treinadores e dirigentes prejudicam a relação dos futuros atletas com o esporte, quando depositam neles suas vontades e a busca pela vitória se torna uma obsessão. Os pesquisadores portugueses Hugo Estanque e  Valter Pinheiro (2011) apontam que "o sucesso no desporto parece ser facilitado por uma saúde mental positiva, por auto percepções positivas e por melhores competências cognitivas e comportamentais".

 

Os autores acima citados apresentam fatores que podem contribuir para o desenvolvimento psicológico de maneira positiva  na relação entre as crianças e o Esporte. Entre eles se destaca a pós-competição. É necessário que o futuro atleta se sinta amparado para aprender com seus erros e suas conquistas, sem cobranças.  Assimilar suas vitórias e  lidar com  frustrações e dificuldades pode se tornar um aspecto interessante para a formação infantil.

 

Os altos níveis de cobrança dos pequenos atletas, que ainda não tem a capacidade de compreender e optar pela  competitividade, têm-se mostrado uma das principais causas de abandono das práticas esportivas por crianças e adolescentes. Associando os conhecimentos fisiológicos e psicológicos com outras áreas relacionadas à prática esportiva, o Gestor do Esporte está apto para transformar essa realidade e compreender as necessidades de uma criança, assegurando sua saúde mental e física.

 

Crédito das imagens do Banner e da tabela de avaliação de Tanner:


http://veja.abril.com.br/assets/pictures/45680/crianca-esporte-cansada-20110810-size-620.jpg?1312995439

http://jemaba.bligoo.es/las-tablas-de-tanner


Referências Bibliográficas e sugestões de aprofundamento:


CHIPKEVITCH, Eugenio. Avaliação clínica da maturação sexual na adolescência. Jornal de Pediatria, Sociedade Brasileira de Pediatria.2001


ESTANQUE, Hugo e PINHEIRO, Valter. Aspectos psicológicos no treino do jovem atleta. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 16 -Nº 156 - Mayo de 2011.

 

 

 


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